sabe-se que o mundo não tem ordem visível, apenas a ordem da respiração onde tudo acontece e eu apenas canto a passagem do tempo. as emoções cada vez mais inacessíveis anteriormente, ora vão se transformando, pouco a pouco, em um espaço de puro movimento. uma espécie de organismo vivo que cresce e palpita. gritos que ecoam pelas teclas de um computador sem fio na madrugada úmida. e hoje você está aqui na cama, dorme. vou pra perto de você, tento desviar o olhar, procuro incessantemente o controle remoto, mas sinto a tua respiração e te contemplo, em plano detalhe. preciso então te escrever. escrever arrancando de mim as coisas em pedaços, fragmentos. como o arpão que fisga a baleia e lhe estraçalha a carne. eu gostaria de tirar a carne das palavras. que cada palavra fosse um osso seco ao sol. em tons alaranjados e rubro // Eve Cori.
Movido contraditoriamente
por desejo e ironia
não disse mas soltou,
numa noite fria,
aparentemente desalmado;
- Te pego lá na esquina,
na palpitação da jugular,
com soro de verdade e meia,
bem na veia, e cimento armado
para o primeiro a andar.
Ao que ela teria contestado, não,
desconversado, na beira do andaime
ainda a descoberto: - Eu também,
preciso de alguém que só me ame.
Pura preguiça, não se movia nem um passo.
Bem se sabe que ali ela não presta.
E ficaram assim, por mais de hora,
a tomar chá, quase na borda,
olhos nos olhos, e quase testa a testa. //ana cristina césar
May 23May 21
“Diego no conocía la mar. El padre, Santiago Kovadloff, lo llevó a descubrirla. Viajaron al sur. Ella, la mar, estaba más allá de los altos médanos, esperando. Cuando el niño y su padre alcanzaron por fin aquellas cumbres de arena, después de mucho caminar, la mar estalló ante sus ojos. Y fue tanta la inmensidad de la mar, y tanto su fulgor, que el niño quedó mudo de hermosura. Y cuando por fin consiguió hablar, temblando, tartamudeando, pidió a su padre: —¡Ayúdame a mirar!” Eduardo Galeano // El libro de los abrazos
May 21
May 3
// maria aparicio puentes
May 3
// maria aparicio puentes
Amar o perdido / deixa confundido / este coração. // Nada pode o olvido / contra o sem sentido / apelo do Não. // As coisas tangíveis / tornam-se insensíveis / à palma da mão. // Mas as coisas findas, / muito mais que lindas, / essas ficarão.// Carlos Drummond de Andrade.
May 3
memória
May 2
// virgencita de guadalupe y san sebastián. por alfredo vilchis roque.
May 2
// (E)TER NA MENTE
May 1
[…] chove chuva choverando que a cidade de meu bem está-se toda se lavando // soidão // oswald de andrade.